Lauraceae
Ocotea odorifera
canela-sassafrás, sassafrás, canela-funcho, casca-cheirosa, louro-cheiroso, casca-preciosa
Árvore de 10 a 25 m de altura, de tronco geralmente tortuoso, curto e canelado, com quinas irregulares e pronunciadas, e com pequenas dilatações na base. A casca externa é castanho-acinzentada a castanho-pardacenta, rígida, com cicatrizes típicas provenientes da descamação, e lenticelas salientes. Suas folhas são alternas, simples, oblongo-lanceoladas, coriáceas e brilhantes, de 5-15 cm de comprimento e 1,5-5,0 cm de largura, sempre agrupadas na ponta dos ramos. Toda a planta apresenta odor característico devido ao seu óleo essencial “safrol”.
Sua inflorescências paniculadas e terminais são formadas por até 9 flores pequenas, hermafroditas, muito perfumadas e de cor branco-amarelada. Os frutos são drupas elípticas, lisas, castanhas, de cerca de 2,5 cm de comprimento, por 1,2 cm de diâmetro, com uma fina polpa carnosa que por sua vez é envolvida até quase o meio, pelo receptáculo carnoso, contendo uma única semente de igual formato. A floração predomina nos meses de agosto e setembro, enquanto a maturação dos frutos é mais intensa de abril a junho.
Secundária tardia a clímax. Heliófila ou de luz difusa, exige sombreamento médio quando jovem. É exigente em solos, sendo considerada indicadora de elevada fertilidade química. Ocorre em geral nas encostas bem drenadas. A dispersão é irregular e descontínua, constituindo densos povoamentos em certas áreas e sendo rara ou até inexistente em outras. Mais comum em florestas mais desenvolvidas, constituindo os estratos intermediários. Suas sementes são dispersas principalmente por aves, macacos e roedores. Consta nas listas nacional e estadual de espécies ameaçadas de extinção.
Do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul. No Paraná ocorre na Floresta Ombrófila Densa de encosta e na Floresta Ombrófila Mista.
Pelo aspecto geral e pela boa sombra é indicada para a arborização urbana. Seus frutos são consumidos por macacos, pássaros e roedores. Sua madeira é indicada para mobiliário em geral, na fabricação de folhas faqueadas para revestimentos decorativos, caixotaria, embalagens, painéis, e na construção civil, como caibros, ripas, rodapés e molduras. Também usada na construção artesanal de tonéis para aguardentes, conferindo à bebida seu aroma e sabor agradáveis. É uma madeira muito apreciada para tanoaria. Todas as partes da planta são empregadas para a extração de óleo essencial mediante destilação, sendo o safrol, um dos principais componentes. Este óleo é utilizado na perfumaria, como insumo de naves espaciais e em outros setores industriais. Na medicina o safrol é empregado no preparo de medicamentos com propriedades sudoríficas, anti-reumáticas, anti-sifilíticas, diuréticas e como repelente de mosquitos. Na medicina popular, suas flores e casca são muito empregadas como sudoríficas, estimulantes, para auxiliar na digestão, depurativas do sangue, diuréticas, em intoxicações metálicas e no tratamento de dermatoses e gota. O cozimento da casca é usado no tratamento de artrite reumatóide, dermatoses, fragilidade do sistema nervoso, sífilis e no combate da halitose. Índios de várias etnias do Paraná e Santa Catarina usam a casca para o tratamento de dores em geral e de contusões.
As sementes têm viabilidade de armazenamento bastante curta, devendo ser semeadas assim que colhidas. A germinação inicia-se entre 30 a 60 dias após a semeadura, apresentando poder germinativo mediano. As mudas podem ser plantadas no campo após cerca de 11 meses e seu desenvolvimento é lento.
“Projeto Madeira do Paraná” (TAKAO, RODERJAN & KUNIYOSHI, 1984); “Árvores Brasileiras, Vol.1” (LORENZI, 1992); “Livro das Árvores e Arvoretas do Sul” (LONGHI, 1995); “Árvores do Sul” (BACKES & IRGANG, 2002); “Plantas Medicinais no Brasil” (LORENZI & MATOS, 2002).

